09 maio, 2006

Entrevista de Primeira


Estou começando mais uma série no meu blog, voltei com o ânimo a mil e prontificado a voltar a ativa.
Essa será uma série publicada de entrevistas feitas por mim, sobre diversos temas e abordagens, para iniciar apresento a vocês Fernando Milanni, em entrevista realizada no mês de maio de 2005.
O entrevistado é um exemplo vivo de que a educação é tudo para se vencer na vida. Fernando Milanni, 33 anos, mestre, pesquisador, e acima de tudo jornalista é um santa-cruzense que enfrentou vários problemas quando criança, já foi carroceiro, vendeu picolé, mas como gazeteiro do Jornal do Commércio - PE, que se apaixonou pelo jornalismo, imaginava está lá um dia, era difícil, mas nunca desistiu. Começou a dar seus primeiros passos na área da comunicação, de 1993 a 1995 trabalhou como radialista na Rádio Vale do Capibaribe AM, saindo de sua cidade no período de 1995 a 1996, trabalhou na Campina Grande FM; de 1996 a 1998, na Rádio Cariri AM, trabalhou como diagramador no jornal Diário da Borborema de Campina Grande, assessor da STTP – Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos de Campina Grande, entre outros.

GILBERTO SILVA - Fernando fale um pouco da sua infância até o presente.

FERNANDO MILANNI – Minha infância em Santa Cruz, foi um pouco difícil, tive que trabalhar muito, sem muitas perspectivas, mas sempre tinha um sonho, uma perseverança em alcançar algo que ainda não sabia o que era. Em termos de trabalho, vendi picolé, fui carroceiro na feira, catei panos no lixo para minha mãe fazer cobertas, trabalhei como gazeteiro do Jornal do Commércio. Foi a partir daí que me interessei pelo jornalismo. Mas foi quando comecei a me envolver com cultura, com a professora Avaní Lopes, com rádio na Rádio Vale do Capibaribe – AM, com produção de eventos, que percebi que poderia mudar minha realidade, e poderia fazer isso através da educação, e da parte profissional.

GILBERTO - Fernando como foi sua vida como estudante ?

FERNANDO - Estudei parte em uma escola em São Domingos – Brejo da Madre de Deus – onde eram deficitários, tanto professores, quanto material didático. Não tinha tanto interesse e era até chamado de “o burro da turma”, quando saí de lá e fui estudar a segunda série no Luís Alves, um amigo da outra escola também foi nós éramos os únicos que não sabíamos ler nem escrever, e tínhamos que sentar junto dos outros meninos para que eles fossem lendo, assim fiquei até a terceira série. Fui me acordar para educação na oitava série, comecei a estudar só, a interagir com outros estudantes, e estudei muito para chegar até aqui.

GILBERTO – Quantos vestibulares você prestou?

FERNANDO - Fiz um primeiro vestibular que não passei, e cheguei até a zerar uma prova, as pessoas diziam que iria passar porque sempre estudei muito nessa fase, devido até problemas psicológicos, não estava preparado, mas esperava passar. Isso não me desestimulou, lembro de uma cena muito forte, quando voltávamos no ônibus, já tinha certeza que não havia passado e voltei estudando, tinha certeza que no outro ano iria passar, e passei, não tinha condições de pagar cursinho e estudei só, passei madrugadas estudando, mas atingi meu objetivo.

GILBERTO - Quantos anos você tinha quando prestou esses vestibulares?

FERNANDO - No primeiro tinha 22 anos, e entrei na faculdade com 23 anos.

GILBERTO - Quais as maiores dificuldades encontradas para entrar e permanecer na Faculdade?

FERNANDO - Na minha cabeça não havia dificuldades. Sempre digo que se me passam um problema tenho dificuldades em resolver, mas quando esse problema se torna um desafio, consigo resolver porque sou movido a desafios. Havia dificuldades, mas encarava como desafios. As dificuldades naquela época eram muitas, não existia, por exemplo, um ônibus de estudantes. Então tive que me mudar para Campina Grande – PB, deixei meu emprego na Rádio Vale, e não tinha nada certo quando cheguei em Campina, era um risco, mas valeu a pena. Enfrentei uma dificuldade e outra até chegar aonde cheguei

GILBERTO - Fernando, você que já é Mestre em Comunicação, pretende fazer Doutorado?

FERNANDO - É meu projeto de agora. Desde o primeiro dia na Universidade, comecei a projetar minha vida profissional, você às vezes não sabe onde vai chegar, mas é importante projetar sua vida, o mestrado já havia sido projetado e o doutorado é uma conseqüência, não posso estagnar. Profissionalmente estou bem, leciono em três Universidades, mas o conhecimento muda o tempo todo e você tem que buscar o aperfeiçoamento pra avançar. Vou fazer doutorado, e evidentemente depois do doutorado vou buscar um pós – doutorado, ou algo, além disso. Esses são meus próximos objetivos.

GILBERTO - Fernando para encerrar deixe uma mensagem de estímulo para os Universitários e futuros Universitários.

FERNANDO - Antigamente você precisava de dinheiro, de uma família bem estruturada para se vencer na vida, evidentemente que quem não tem isso vai enfrentar mais dificuldades. Hoje o que modifica o profissional é o conhecimento, por isso tem se buscar o conhecimento a todo custo. Sempre falo que a partir que se tem uma graduação, sua vida profissional pode mudar, pois, se avança para um outro nível. Não existem obstáculos, somos nós que o criamos, se quer vencer tem que existir um objetivo e tem que correr atrás desse objetivo, cada obstáculo vencido você se fortalece. Agradeço a todos vocês e acho interessante esse projeto, quando estudava havia duas vertentes, professores que estimulavam, e outros que desestimulavam os alunos. Acho que o papel dos professores, principalmente no Ensino Médio é muito importante, porque é ele que vai apresentar o universo da Universidade, desculpe ser redundante, mas é isso. E não esquecendo, gosto sempre de lembrar que minha professora Avaní Lopes teve uma participação fundamental em minha vida, ela foi efetiva, decisiva, para chegar onde estou hoje.




2 comentários:

Anônimo disse...

Emocionante..........

Clarissa

Monicky disse...

É de extremas necessidade que materias do tipo cheguem as pessoas de nossa cidade, poir é com o exemplo de pessoas como Millani que os joves de nossa terra poderão sonhar um dia em sair da famosa sulanca e buscar outras formas de "ganhar a vida"